"Vou-me embora pra Pasárgada" (Manuel Bandeira)
Lua nova
Hoje mais uma vez eu vi a lua.
Vi-a como se a nós visse
Vi-a como naquela noite longa
De muitos milênios atrás
Hoje mais uma vez a vi
Novamente plena, lua branca
Vi-a aparecer como lembrança
De algo que há muito esqueci
Vi na lua clara, como espelho
Reflexos de um tempo adormecido
Das coisas que poderiam ter sido
Foram? Creio que não sei mais
Vi-a, novamente linda
Novamente bela, tão bela...
Meus olhos não ousaram baixar
Para não ver o vazio de estar ali.
Carolina Zuppo Abed
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
quinta-feira, 17 de setembro de 2009
Era agora apenas mais um no topo da lista dos muitos enganos. Cada passo, um erro: assim lhe parecia. Este quase virara acerto por um tropeço descuidado da sorte. Quase - maldição de todas as coisas que nunca são. Já fazia um mês, dois talvez, que ela havia se segurado nisto como se fosse a grande revelação de sua vida. Enroscara-se nesta sólida coluna de ar qual as trepadeiras que, se lhes tiram o apoio, desfalecem. Desprendera-se de todo do chão que, subitamente, lhe parecera tão insólito e insuficiente. Agora, como não poderia deixar de ser, caíra. Despencara no momento mesmo em que a situação se mostrou tal como era. Sem chão, sem alicerce, sem destino, foi andando não sei sobre que ruas até chegar onde estava. Deparou-se com a cilada bifurcada do destino. À sua frente, a dúvida. Atrás de si, os enganos. Olhou para a frente. A estrada bífida exigia uma escolha.
Carolina Zuppo Abed
Carolina Zuppo Abed
terça-feira, 18 de agosto de 2009
No nosso aniversário de um ano!!
"Que bobagem as rosas não falam"
(Cartola)
Hoje, um rosa murchou
De papel
Sujou
Prantos, pedaços
Indo embora
O vento
O cheiro
Qual cheiro?
Do Papel
Não! Da rosa
A rosa e o papel.
Raoni Silva Moura
Nomes
Escreva teu nome aqui, junto ao meu, como está no livro que o padre abençoou. Me lembro bem daquele dia. Teu cabelo escorrido, o véu na face. O sorriso brilhava. Tua mãe já gostava de mim naquele época, mas não escondia a birra que ela mantinha por causa daquela vez que chegamos bêbados em casa. Engraçado lembrar disso agora. Antes tudo parecia eterno, bonito e simples. Ah, como se enganam os enamorados. E nós somamos mais dois nessa lista. Serão só dois? Sempre achei que você tinha mais um. E você sempre achou que eu tinha mais várias. E tinha mesmo! Todas dentro de você. Mas tudo bem, isso já não importa mais. Ontem eu fui naquele bar que você gostava de ir quando éramos jovens. Lembra de lá? Você sempre pedia o mesmo drink. Dizia que era o melhor de todos. Agora tem música ao vivo lá. O dono não é mais o mesmo, mas ainda tem a nossa foto no mural. Estranho pensar que venderam o bar e a nossa foto juntos. Aliás, acho que é a única que restou. As poucas que sobraram depois do incêndio você jogou fora. Nunca gostei de fotografias, gosto só das que eu tiro com a cabeça. Pena que as vezes eu não lembro de onde as guardei. A verdade é que eu nunca lembrei onde guardava as coisas. Você sempre cuidou disso pra mim. Lembra aquele dia do casamento da sua irmã, que eu perdi as chaves do carro? E no final elas estavam no meu bolso. Você queria me matar. Quase chegamos atrasados. A sorte foi que o carro da sua irmã quebrou. Também, quem manda contratar esse carros antigos! Por fora são maravilhosos, lindos, conservados. Mas depois que a chave gira é que você descobre a idade do motor. Mas, enfim querida, está de acordo com o valor da pensão? Então escreve teu nome aqui, junto ao meu, que o Juiz irá abençoar!
Raoni Silva Moura
"Que bobagem as rosas não falam"
(Cartola)
Hoje, um rosa murchou
De papel
Sujou
Prantos, pedaços
Indo embora
O vento
O cheiro
Qual cheiro?
Do Papel
Não! Da rosa
A rosa e o papel.
Raoni Silva Moura
Nomes
Escreva teu nome aqui, junto ao meu, como está no livro que o padre abençoou. Me lembro bem daquele dia. Teu cabelo escorrido, o véu na face. O sorriso brilhava. Tua mãe já gostava de mim naquele época, mas não escondia a birra que ela mantinha por causa daquela vez que chegamos bêbados em casa. Engraçado lembrar disso agora. Antes tudo parecia eterno, bonito e simples. Ah, como se enganam os enamorados. E nós somamos mais dois nessa lista. Serão só dois? Sempre achei que você tinha mais um. E você sempre achou que eu tinha mais várias. E tinha mesmo! Todas dentro de você. Mas tudo bem, isso já não importa mais. Ontem eu fui naquele bar que você gostava de ir quando éramos jovens. Lembra de lá? Você sempre pedia o mesmo drink. Dizia que era o melhor de todos. Agora tem música ao vivo lá. O dono não é mais o mesmo, mas ainda tem a nossa foto no mural. Estranho pensar que venderam o bar e a nossa foto juntos. Aliás, acho que é a única que restou. As poucas que sobraram depois do incêndio você jogou fora. Nunca gostei de fotografias, gosto só das que eu tiro com a cabeça. Pena que as vezes eu não lembro de onde as guardei. A verdade é que eu nunca lembrei onde guardava as coisas. Você sempre cuidou disso pra mim. Lembra aquele dia do casamento da sua irmã, que eu perdi as chaves do carro? E no final elas estavam no meu bolso. Você queria me matar. Quase chegamos atrasados. A sorte foi que o carro da sua irmã quebrou. Também, quem manda contratar esse carros antigos! Por fora são maravilhosos, lindos, conservados. Mas depois que a chave gira é que você descobre a idade do motor. Mas, enfim querida, está de acordo com o valor da pensão? Então escreve teu nome aqui, junto ao meu, que o Juiz irá abençoar!
Raoni Silva Moura
sexta-feira, 3 de julho de 2009
"Vem que a sede de te amar me faz melhor
eu quero amanhecer ao seu redor
preciso tanto te fazer feliz..."
(Roberto Carlos)
De vazios e esperança
Há uma gota de sangue em cada poema.
Há um brilho de belo em cada gota da gente.
Há um pouco de seu em cada coisa que sinto
Há um muito de nós em cada coisa que vejo.
É uma coisa que lembra
que pulsa
e que chora
sempre que sente saudades.
É um abismo sem fundo
um sempre-oco do não
e um eco que diz: nunca mais.
Mas ainda que claro e difuso
toda passagem deixa um rastro
e o fio de prata no mar
lembra à lua a onda que estava ali.
E a presença que há na ausência
contraria o eco, e declara:
que há vida no coração imóvel!
que há sonho na vida vazia!
que há horizonte por trás da bruma!
Carolina Zuppo Abed
eu quero amanhecer ao seu redor
preciso tanto te fazer feliz..."
(Roberto Carlos)
De vazios e esperança
Há uma gota de sangue em cada poema.
Há um brilho de belo em cada gota da gente.
Há um pouco de seu em cada coisa que sinto
Há um muito de nós em cada coisa que vejo.
É uma coisa que lembra
que pulsa
e que chora
sempre que sente saudades.
É um abismo sem fundo
um sempre-oco do não
e um eco que diz: nunca mais.
Mas ainda que claro e difuso
toda passagem deixa um rastro
e o fio de prata no mar
lembra à lua a onda que estava ali.
E a presença que há na ausência
contraria o eco, e declara:
que há vida no coração imóvel!
que há sonho na vida vazia!
que há horizonte por trás da bruma!
Carolina Zuppo Abed
domingo, 28 de junho de 2009
"O senhor sabe o que o silêncio é? É a gente mesmo, demais."
(Guimarães Rosa)
Um velho
Um velho. Ali, sentado, o velho. A praça à sua volta parecia integrar-se à sua presença quieta. O ar silencioso, fresco, sem brisa que movimentasse as folhas daquelas árvores que por respeito escondiam um pouco do seu verde. Passarinhos não havia. Se havia, não cantavam; se cantavam, não se ouvia. Os ouvidos estavam mudos para o que vinha de fora. Fora? Não. Não havia espaço. Estava tudo dentro. Velho e praça: um dentro indissociável. Integrado, único: o retrato de um velho em paisagem.
O banco era cinza como as calças do velho. Imóvel como as calças do velho. Firme como as pernas do velho. As mãos apoiadas nos joelhos. Parecia esperar. Parecia aceitar.
Os ponteiros parados. O corpo imóvel, a mente vazia, os sentimentos cansados. “Faz tempo...”. Uns olhos miúdos absorviam quietos o que o mundo ainda podia lhes dar, enquanto afundavam solenes naquele mar leitoso de bonança. Entregues que estavam à contemplação estática, mantinham-se abertos por tempos infindáveis, até um manto descer-lhes sobre a vida para em seguida elevar-se, revelando que ainda estavam ali.
Músculo obstinado, o coração, batia. Cada vez menos, sempre menos. O velho, mais velho. Cada vez mais, sempre mais. Tum tum, ecoava pela praça; Tum tum. Sentia-se a lenta cadência na carne das coisas. E o velho, mais velho. Acreditava-se que não duraria muito mais. Fazia tempo. Mas o velho – mais, mais velho – continuava.
Carolina Zuppo Abed
(Guimarães Rosa)
Um velho
Um velho. Ali, sentado, o velho. A praça à sua volta parecia integrar-se à sua presença quieta. O ar silencioso, fresco, sem brisa que movimentasse as folhas daquelas árvores que por respeito escondiam um pouco do seu verde. Passarinhos não havia. Se havia, não cantavam; se cantavam, não se ouvia. Os ouvidos estavam mudos para o que vinha de fora. Fora? Não. Não havia espaço. Estava tudo dentro. Velho e praça: um dentro indissociável. Integrado, único: o retrato de um velho em paisagem.
O banco era cinza como as calças do velho. Imóvel como as calças do velho. Firme como as pernas do velho. As mãos apoiadas nos joelhos. Parecia esperar. Parecia aceitar.
Os ponteiros parados. O corpo imóvel, a mente vazia, os sentimentos cansados. “Faz tempo...”. Uns olhos miúdos absorviam quietos o que o mundo ainda podia lhes dar, enquanto afundavam solenes naquele mar leitoso de bonança. Entregues que estavam à contemplação estática, mantinham-se abertos por tempos infindáveis, até um manto descer-lhes sobre a vida para em seguida elevar-se, revelando que ainda estavam ali.
Músculo obstinado, o coração, batia. Cada vez menos, sempre menos. O velho, mais velho. Cada vez mais, sempre mais. Tum tum, ecoava pela praça; Tum tum. Sentia-se a lenta cadência na carne das coisas. E o velho, mais velho. Acreditava-se que não duraria muito mais. Fazia tempo. Mas o velho – mais, mais velho – continuava.
Carolina Zuppo Abed
quinta-feira, 4 de junho de 2009
"Você tem meia hora
Pra mudar a minha vida"
(Adriana Calcanhoto)
Romântico
Eu nasci romântico,
voltado para o amor,
mas logo veio você
e errou.
Depois veio outra
E também errou
Tantas, nem sei
Não era assim.
Desculpas? Tudo bem!
Sorrisos à vontade
Tantas que amei
Já nem lembro.
Antes rimas fortes
Hoje versos fracos
De quem já cansou,
Solidão.
Nem na essência
Talvez tenha ficado
Vestígios dos tempos antigos
Retratos.
Já foi amor,
eu cresci romântico,
eu chorei romântico,
eu amei romântico.
Raoni Silva Moura
FRIO
No teu abraço o calor febril
Um frio que sufoca o corpo quente
O calor amargo do café gelado
O riso profundo de um sorriso amarelado.
Do teu sexo o fundo ralo
De um íntimo prazer que sustenta
O desejo pelo corpo, pela carne
Afastando a alma de mim mesmo.
Raoni Silva Moura
Pra mudar a minha vida"
(Adriana Calcanhoto)
Romântico
Eu nasci romântico,
voltado para o amor,
mas logo veio você
e errou.
Depois veio outra
E também errou
Tantas, nem sei
Não era assim.
Desculpas? Tudo bem!
Sorrisos à vontade
Tantas que amei
Já nem lembro.
Antes rimas fortes
Hoje versos fracos
De quem já cansou,
Solidão.
Nem na essência
Talvez tenha ficado
Vestígios dos tempos antigos
Retratos.
Já foi amor,
eu cresci romântico,
eu chorei romântico,
eu amei romântico.
Raoni Silva Moura
FRIO
No teu abraço o calor febril
Um frio que sufoca o corpo quente
O calor amargo do café gelado
O riso profundo de um sorriso amarelado.
Do teu sexo o fundo ralo
De um íntimo prazer que sustenta
O desejo pelo corpo, pela carne
Afastando a alma de mim mesmo.
Raoni Silva Moura
terça-feira, 21 de abril de 2009
"Então eu trago das minhas raízes crianceiras a
visão comugante e oblíqua das coisas."
(Manoel de Barros)
E quem nunca teve medo de monstro?
Eu morava numa casa de dois andares, que minha avó insistia em chamar de sobrado. Sobrado, não! Não é só porque ela fica em Pirituba que é sobra! Minha avó, aliás, morava na Aclimação e ia para casa um fim de semana sim, um não.
No meu quarto – não enorme, nem pequeno: o suficiente para eu e a Marcela dançarmos ou jogarmos um jogo – havia a minha cama rosa, uma penteadeira também rosa combinando, uma escrivaninha, uma estante modular, o guarda-roupas, uma cômoda com a TV em cima. Tudo bagunçado, menos a cama e os armários.
Da minha cama, deitada, eu via, à minha direita, na altura dos joelhos, a porta balcão que dava para o terraço. Do lado esquerdo, um espelho grande na parede acima da escrivaninha. Ainda à esquerda, mas agora olhando na direção dos meus pés, a porta do quarto, que deixava aparecer um pedacinho do corredor e o começo da escada para a sala, que logo nos primeiros degraus fazia uma leve curva para a esquerda. Eu nunca gostei de escadas.
Tinha, sempre tive, medo de dormir sozinha. Quando minha mãe me perguntava: “Medo de quê?” Eu sempre respondia: “Da minha imaginação!” De tanto querer dormir na cama dela, “só adormecer, até pegar no sono”, foi-se formando gradualmente um ritualzinho:
– Mãe, se eu precisar...
– ... é só chamar! Mas de preferência...
– ... não precise!
Na nossa maluquice, não tardou a virar um diálogo engraçado e maluquinho: “Si pri” “É só” “Di prê” “Num pri”! E depois: “Lel Said, mama”, “Lel Said, fi”, e quando meu pai estava em casa: “Lel Said baba”, “Lel Said filhotinha”. Mas eu não tinha exatamente uma lel Said*. Eu tinha medo da minha imaginação. De verdade! Eles viriam me pegar. Eles, os monstros!
Eu tinha 2 pontos vulneráveis: a sacada e a escada. Ele podia vir lá de fora ou lá de baixo. Percebendo isso, bolei um esquema para não ser pega desprevenida: virada para a esquerda, olharia ao mesmo tempo para a escada e para o espelho, que me daria uma visão da porta-balcão.
Mas espera aí! – minha imaginação de novo – O monstro pode mandar um mini-monstro anão vir engatinhando até a minha cama, saltar sobre mim e me amarrar! Depois o monstrão maior vem e me pega! Afinal, eu tenho um ponto cego de uns 20 cm!
Não tive dúvidas: me inclinei um pouco para baixo para me certificar que o anãozinho não passaria desapercebido. E só por via das dúvidas mantinha os braços afastados do tronco. Vai que ele consegue chegar pra me amarrar quando eu pegar no sono, né? Aí pelo menos eu tenho movimentos...
*boa noite, em árabe
Carolina Zuppo Abed
visão comugante e oblíqua das coisas."
(Manoel de Barros)
E quem nunca teve medo de monstro?
Eu morava numa casa de dois andares, que minha avó insistia em chamar de sobrado. Sobrado, não! Não é só porque ela fica em Pirituba que é sobra! Minha avó, aliás, morava na Aclimação e ia para casa um fim de semana sim, um não.
No meu quarto – não enorme, nem pequeno: o suficiente para eu e a Marcela dançarmos ou jogarmos um jogo – havia a minha cama rosa, uma penteadeira também rosa combinando, uma escrivaninha, uma estante modular, o guarda-roupas, uma cômoda com a TV em cima. Tudo bagunçado, menos a cama e os armários.
Da minha cama, deitada, eu via, à minha direita, na altura dos joelhos, a porta balcão que dava para o terraço. Do lado esquerdo, um espelho grande na parede acima da escrivaninha. Ainda à esquerda, mas agora olhando na direção dos meus pés, a porta do quarto, que deixava aparecer um pedacinho do corredor e o começo da escada para a sala, que logo nos primeiros degraus fazia uma leve curva para a esquerda. Eu nunca gostei de escadas.
Tinha, sempre tive, medo de dormir sozinha. Quando minha mãe me perguntava: “Medo de quê?” Eu sempre respondia: “Da minha imaginação!” De tanto querer dormir na cama dela, “só adormecer, até pegar no sono”, foi-se formando gradualmente um ritualzinho:
– Mãe, se eu precisar...
– ... é só chamar! Mas de preferência...
– ... não precise!
Na nossa maluquice, não tardou a virar um diálogo engraçado e maluquinho: “Si pri” “É só” “Di prê” “Num pri”! E depois: “Lel Said, mama”, “Lel Said, fi”, e quando meu pai estava em casa: “Lel Said baba”, “Lel Said filhotinha”. Mas eu não tinha exatamente uma lel Said*. Eu tinha medo da minha imaginação. De verdade! Eles viriam me pegar. Eles, os monstros!
Eu tinha 2 pontos vulneráveis: a sacada e a escada. Ele podia vir lá de fora ou lá de baixo. Percebendo isso, bolei um esquema para não ser pega desprevenida: virada para a esquerda, olharia ao mesmo tempo para a escada e para o espelho, que me daria uma visão da porta-balcão.
Mas espera aí! – minha imaginação de novo – O monstro pode mandar um mini-monstro anão vir engatinhando até a minha cama, saltar sobre mim e me amarrar! Depois o monstrão maior vem e me pega! Afinal, eu tenho um ponto cego de uns 20 cm!
Não tive dúvidas: me inclinei um pouco para baixo para me certificar que o anãozinho não passaria desapercebido. E só por via das dúvidas mantinha os braços afastados do tronco. Vai que ele consegue chegar pra me amarrar quando eu pegar no sono, né? Aí pelo menos eu tenho movimentos...
*boa noite, em árabe
Carolina Zuppo Abed
domingo, 5 de abril de 2009
"Um pouco de luz nessa vida...
um pouco de luz em você!"
(Roupa Nova)
...Celebrando e consolidando a [nova] parceria que agora está à frente do Rosa de Papel...
Rosa e Papel
Vinho forte; água pura
Bofetada; mão que cura
Saga eterna; insegura
Radiante; sombra escura
Eu tão minha, você Mundo
Você lança, eu escudo
Você leve, eu tão fundo
Eu sem nada, você-tudo
Eu carinho e você mimo
Você junto e eu animo
Você perto eu me aproximo
Liberdade e sagração
Sentimento com razão
Complemento e fusão
Um beijo pote de mel
A perfeição de aluguel
Carolina Zuppo Abed
um pouco de luz em você!"
(Roupa Nova)
...Celebrando e consolidando a [nova] parceria que agora está à frente do Rosa de Papel...
Rosa e Papel
Vinho forte; água pura
Bofetada; mão que cura
Saga eterna; insegura
Radiante; sombra escura
Eu tão minha, você Mundo
Você lança, eu escudo
Você leve, eu tão fundo
Eu sem nada, você-tudo
Eu carinho e você mimo
Você junto e eu animo
Você perto eu me aproximo
Liberdade e sagração
Sentimento com razão
Complemento e fusão
Um beijo pote de mel
A perfeição de aluguel
Carolina Zuppo Abed
quarta-feira, 18 de março de 2009
"O mal que venho sofrendo
E que em meu peito se lê,
Sei que o sinto, mas por que
O sinto é que não entendo"
(Manuel Bandeira)
Segue, abaixo, o conjunto de poesias pelo qual recebemos a Menção Honrosa (4ºlugar) no 3º Festival de Literatura da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP.
Todas foram assinadas com o pseudônimo de MARIO QUITANDA.
Veja-me
Nas marcas dos passos que você não deu
Vejo um futuro breve que não é meu
Pelo vidro apaixonado sou teu
Mas numa vida que não sou eu.
E nas ruas que você não passou
Ainda resta o cheiro do seu perfume
O gosto do beijo que você não deu
E a vontade louca de ser teu.
É saudade que eu muito sinto
Daquele momento que não vivemos
Do dia que não nos conhecemos.
E agora que ainda não te vi
Quero de novo poder sentir
Como no dia que só eu te conheci.
Mario Quitanda
Ex in terior
Os olhos se retorcem.
Curvas, retas e outras formas
que entorpecem, confundem.
Parece o interior do amor
Achei um quadrado, aberto,
um triângulo fechado.
Formas que não seguem padrão.
Parece o interior do amor.
Mas mesmo na não forma
existe uma beleza estrutural,
de traços leves e precisos.
Parece o exterior do amor.
Mario Quitanda
Teu laço
O laço de cetim branco
Eis ai todo meu desejo
Enquanto jovens pensam,
Eu poeta sonho. Com o toque
Do laço de cetim branco
Aperto-lhe contra o peito
Amo-o,
E peço aos Deuses que ele,
(o laço) passeie, levemente
Entre meus dedos.
Mario Quitanda
Sonhos
Há sonhos no meu quarto!
Sonhos que somem pelo espaço,
voando pelo lugar exato,
apagando meus futuros retratos.
Há paredes pintadas pelo vento!
A brisa que corre do mar,
que corta meu rosto desatento
e mancha as cores do luar.
As portas das minhas viagens
muitas vezes fecham o caminho,
sem me deixar ver miragens,
implorando por um pouco de carinho.
Mario Quitanda
Infância
Quando eu era bem pequeno,
meu cata-vento tinha quatro pontas.
Hoje que não sou mais tão pequeno,
meu cata-vento tem oito versos.
Quando eu era pequeno,
as vezes eu chorava.
Hoje que não sou mais tão pequeno,
as vezes eu escrevo.
Mario Quitanda
E que em meu peito se lê,
Sei que o sinto, mas por que
O sinto é que não entendo"
(Manuel Bandeira)
Segue, abaixo, o conjunto de poesias pelo qual recebemos a Menção Honrosa (4ºlugar) no 3º Festival de Literatura da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP.
Todas foram assinadas com o pseudônimo de MARIO QUITANDA.
Veja-me
Nas marcas dos passos que você não deu
Vejo um futuro breve que não é meu
Pelo vidro apaixonado sou teu
Mas numa vida que não sou eu.
E nas ruas que você não passou
Ainda resta o cheiro do seu perfume
O gosto do beijo que você não deu
E a vontade louca de ser teu.
É saudade que eu muito sinto
Daquele momento que não vivemos
Do dia que não nos conhecemos.
E agora que ainda não te vi
Quero de novo poder sentir
Como no dia que só eu te conheci.
Mario Quitanda
Ex in terior
Os olhos se retorcem.
Curvas, retas e outras formas
que entorpecem, confundem.
Parece o interior do amor
Achei um quadrado, aberto,
um triângulo fechado.
Formas que não seguem padrão.
Parece o interior do amor.
Mas mesmo na não forma
existe uma beleza estrutural,
de traços leves e precisos.
Parece o exterior do amor.
Mario Quitanda
Teu laço
O laço de cetim branco
Eis ai todo meu desejo
Enquanto jovens pensam,
Eu poeta sonho. Com o toque
Do laço de cetim branco
Aperto-lhe contra o peito
Amo-o,
E peço aos Deuses que ele,
(o laço) passeie, levemente
Entre meus dedos.
Mario Quitanda
Sonhos
Há sonhos no meu quarto!
Sonhos que somem pelo espaço,
voando pelo lugar exato,
apagando meus futuros retratos.
Há paredes pintadas pelo vento!
A brisa que corre do mar,
que corta meu rosto desatento
e mancha as cores do luar.
As portas das minhas viagens
muitas vezes fecham o caminho,
sem me deixar ver miragens,
implorando por um pouco de carinho.
Mario Quitanda
Infância
Quando eu era bem pequeno,
meu cata-vento tinha quatro pontas.
Hoje que não sou mais tão pequeno,
meu cata-vento tem oito versos.
Quando eu era pequeno,
as vezes eu chorava.
Hoje que não sou mais tão pequeno,
as vezes eu escrevo.
Mario Quitanda
quinta-feira, 22 de janeiro de 2009
"O melhor futuro esse hoje escuro
O maior desejo da boca é o beijo"
(Zeca Baleiro)
Menos que amanhã
Hoje, sorrisos sinceros em trajes urbanos
Amanhã, amores lindos sem trajes nenhum.
Quanto vale te querer?
Noites e sonhos se fazem completos
Te amar me vale certezas (que eu não tinha).
Hoje, te amo,
menos que amanhã.
Raoni Silva Moura
Noites
Um simples toque pelo corpo
O compasso gira livremente
Escorrega pela face do teu rosto
E deixa um pequeno traço permanente
Feridas que se curam com beijos
Os mesmos que trazem arrepios
Meus dedos beijam seus seios
E seus seios apreciam meus dedos
Nossas pernas se unem,
Virilha com virilha.
Raoni Silva Moura
terça-feira, 13 de janeiro de 2009
"Dorme agora, é só o vento lá fora"
(Pais e Filho - Renato Russo)
Teu beijo
Toco-lhe apenas com o olhar, aguardando ansiosamente o momento onde nossas peças se encaixam e o mesmo rei dá e recebe o xeque-mate simultaneamente.
Os segundos são eternos, mas passam como horas, o tempo perde sua linha de raciocínio e eu me entrego entre esses rios que me sufocam, matando-me da forma mais gostosa possível.
Realidade e ilusão se fundem nesses milhões de sentimentos que desabrocham nos ventríolos do meu jardim, deixando-me assim, perdido entre você e eu. E nesse instante, o doce toque que sela o silêncio arranca-me mudos gritos de amor e desabotoa as cortinas para a chegada da bonança.
Raoni Silva Moura
Gim
Joga teu corpo nu pelo espaço,
joga querida!
Joga que o vento te sustenta,
joga pra ver se aguenta.
Deixe-me ver o vento tocar teus seios,
cortar teus lábios, mexer teus pelos.
Queira eu, sentindo inveja do vento, ao vento.
Senta-te ao canto, no banco,
dizendo um tanto, espanto.
Joga teu corpo nu ao sol menina,
deixa ele te sentir assim:
pele de cetim,
uma dose de gim.
Raoni Silva Moura
(Pais e Filho - Renato Russo)
Teu beijo
Toco-lhe apenas com o olhar, aguardando ansiosamente o momento onde nossas peças se encaixam e o mesmo rei dá e recebe o xeque-mate simultaneamente.
Os segundos são eternos, mas passam como horas, o tempo perde sua linha de raciocínio e eu me entrego entre esses rios que me sufocam, matando-me da forma mais gostosa possível.
Realidade e ilusão se fundem nesses milhões de sentimentos que desabrocham nos ventríolos do meu jardim, deixando-me assim, perdido entre você e eu. E nesse instante, o doce toque que sela o silêncio arranca-me mudos gritos de amor e desabotoa as cortinas para a chegada da bonança.
Raoni Silva Moura
Gim
Joga teu corpo nu pelo espaço,
joga querida!
Joga que o vento te sustenta,
joga pra ver se aguenta.
Deixe-me ver o vento tocar teus seios,
cortar teus lábios, mexer teus pelos.
Queira eu, sentindo inveja do vento, ao vento.
Senta-te ao canto, no banco,
dizendo um tanto, espanto.
Joga teu corpo nu ao sol menina,
deixa ele te sentir assim:
pele de cetim,
uma dose de gim.
Raoni Silva Moura
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Poemas,
Poesia narrativa
quarta-feira, 12 de novembro de 2008
Dedicado ao meu pai José Antonio de Moura (http://www.dicassobrenada.blogspot.com/)
Eu tinha sete anos. A mão colada à do meu pai suava. Eu a apertava com força. Nós subíamos a rampa e aos poucos os gritos da torcida ficavam mais claros. A batida dos tambores entrava em meus ouvidos e “BUM”, alterava as batidas do meu coração, acelerado, forte, e eu me lembro, gostava daquilo.
O mundo estava fechado, resumido naquele enorme tapete verde. “BUM”, e o coração batia fora do compasso. Eu não acreditava, era final de campeonato, e a minha primeira vez.
O apito do árbitro sacudiu ainda mais a torcida e o meu coração. Este sabia do que precisava. Queria a qualquer custo desabafar o grita da glória junto à multidão que cantava e batucava com mais ritmo que ele próprio.
A bola rolava. Um passe pra cá. Levanta a bola na esquerda. Volta a bola. Defesa e ataque armados, estrategicamente posicionados. Outro toque, com classe, na frente para o lateral que passava como um pássaro. As torcidas se levantam. Vem o cruzamento. Ele domina, chuta... Na trave! Huuuuu dizia em uníssono a torcida adversária. Pensei na derrota, e não gostei nem um pouco.
O jogo corria, e eu junto. Andava de um lado ao outro dentro daquele um metro que eu tinha de espaço. O grito que eu tanto queria não saia, parecia preso, arranhava a garganta, me sufocava e me deixava ainda mais tenso. Eu nunca tinha feito aquilo, eu precisava.
Roubada de bola no meio campo, contra-ataque. Num piscar de olhos a chama da minha felicidade acendeu. Era agora. - Vira a bola, vira a bola; eu gritei, implorei e ele obedeceu, como se eu estivesse falando ao seu ouvido. Mais um toque e ela chegaria. Gritei, sabia que ele me ouviria: - Toca; e ele tocou. Ela estava agora nos pés do artilheiro, que olhou, nos olhos do goleiro, no gol, e bateu. Com classe, com aquele toque de mestre, com categoria. O mundo agora não era mais todo o tapete verde, ele se resumia entre a posição da bola e a linha do gol.
Em câmara lenta a bola saiu dos pés do craque e partiu em direção à glória. Os olhos do guardião da honra foram aos poucos se virando para trás e acompanhando a sutil trajetória daquele míssil que sem ferir lhe causaria dor. Ela foi girando, rodando no ar, desfilando... E saiu pela linha de fundo, rente à trave.
As três letras sagradas já estavam pra fora da boca quando aquela bola saiu. Nós precisávamos de mais um lance, só mais um e aquela bola entraria, eu sentia isso, eu tinha certeza.
Mas o lance não vinha, ambas as torcidas agora já pareciam não acreditar que aquilo estava acontecendo.
O tempo passava e nada do grito sair. Os técnicos trocavam os jogadores, mas nada parecia ser capaz de decidir qual daqueles times era o melhor. Apenas eu era capaz. E o melhor era o meu.
Eles vinham com a bola, em velocidade, eram quatro contra três, defesa desarmada. O quarto árbitro levantava a placa dos acréscimos; três minutos. Um passe, errado: Contra ataque. Era esse o lance, eu sabia. Ele correu, passou pelo círculo central, levantou a cabeça e viu o craque, o artilheiro, sozinho, implorando por ela. O toque; como era gostoso ver a bola rolar naquele tapete. Ela deslizava, passeava como se estivesse ali pra ser cuidada, rolava com seu destino certo. Com um domínio preciso o craque a colocou em sua posse. Levantou o queixo, empinou o nariz como quem diz: Eu sou o cara, e ele era.
Não havia mais ninguém. Era o goleiro e o gol. Ele bateu.
Em silêncio absoluto todos ali só olhavam a bola. Éramos quase sessenta mil, olhando só pra ela. Que destino poderia ter aquela bola? Ela tinha que passar a linha. A linha que dividia a vida. De um lado ficariam os gloriosos, do outro os derrotados. Era o céu e o inferno representados em uma linha de um campo de futebol. Era o gol da alegria e o gol da tristeza. O gol do título e o gol da derrota. Era o gol do céu e o gol do inferno.
Eu jamais esquecerei, depois daquele dia eu nunca mais tive sete anos.
Raoni Silva Moura
Eu tinha sete anos. A mão colada à do meu pai suava. Eu a apertava com força. Nós subíamos a rampa e aos poucos os gritos da torcida ficavam mais claros. A batida dos tambores entrava em meus ouvidos e “BUM”, alterava as batidas do meu coração, acelerado, forte, e eu me lembro, gostava daquilo.
O mundo estava fechado, resumido naquele enorme tapete verde. “BUM”, e o coração batia fora do compasso. Eu não acreditava, era final de campeonato, e a minha primeira vez.
O apito do árbitro sacudiu ainda mais a torcida e o meu coração. Este sabia do que precisava. Queria a qualquer custo desabafar o grita da glória junto à multidão que cantava e batucava com mais ritmo que ele próprio.
A bola rolava. Um passe pra cá. Levanta a bola na esquerda. Volta a bola. Defesa e ataque armados, estrategicamente posicionados. Outro toque, com classe, na frente para o lateral que passava como um pássaro. As torcidas se levantam. Vem o cruzamento. Ele domina, chuta... Na trave! Huuuuu dizia em uníssono a torcida adversária. Pensei na derrota, e não gostei nem um pouco.
O jogo corria, e eu junto. Andava de um lado ao outro dentro daquele um metro que eu tinha de espaço. O grito que eu tanto queria não saia, parecia preso, arranhava a garganta, me sufocava e me deixava ainda mais tenso. Eu nunca tinha feito aquilo, eu precisava.
Roubada de bola no meio campo, contra-ataque. Num piscar de olhos a chama da minha felicidade acendeu. Era agora. - Vira a bola, vira a bola; eu gritei, implorei e ele obedeceu, como se eu estivesse falando ao seu ouvido. Mais um toque e ela chegaria. Gritei, sabia que ele me ouviria: - Toca; e ele tocou. Ela estava agora nos pés do artilheiro, que olhou, nos olhos do goleiro, no gol, e bateu. Com classe, com aquele toque de mestre, com categoria. O mundo agora não era mais todo o tapete verde, ele se resumia entre a posição da bola e a linha do gol.
Em câmara lenta a bola saiu dos pés do craque e partiu em direção à glória. Os olhos do guardião da honra foram aos poucos se virando para trás e acompanhando a sutil trajetória daquele míssil que sem ferir lhe causaria dor. Ela foi girando, rodando no ar, desfilando... E saiu pela linha de fundo, rente à trave.
As três letras sagradas já estavam pra fora da boca quando aquela bola saiu. Nós precisávamos de mais um lance, só mais um e aquela bola entraria, eu sentia isso, eu tinha certeza.
Mas o lance não vinha, ambas as torcidas agora já pareciam não acreditar que aquilo estava acontecendo.
O tempo passava e nada do grito sair. Os técnicos trocavam os jogadores, mas nada parecia ser capaz de decidir qual daqueles times era o melhor. Apenas eu era capaz. E o melhor era o meu.
Eles vinham com a bola, em velocidade, eram quatro contra três, defesa desarmada. O quarto árbitro levantava a placa dos acréscimos; três minutos. Um passe, errado: Contra ataque. Era esse o lance, eu sabia. Ele correu, passou pelo círculo central, levantou a cabeça e viu o craque, o artilheiro, sozinho, implorando por ela. O toque; como era gostoso ver a bola rolar naquele tapete. Ela deslizava, passeava como se estivesse ali pra ser cuidada, rolava com seu destino certo. Com um domínio preciso o craque a colocou em sua posse. Levantou o queixo, empinou o nariz como quem diz: Eu sou o cara, e ele era.
Não havia mais ninguém. Era o goleiro e o gol. Ele bateu.
Em silêncio absoluto todos ali só olhavam a bola. Éramos quase sessenta mil, olhando só pra ela. Que destino poderia ter aquela bola? Ela tinha que passar a linha. A linha que dividia a vida. De um lado ficariam os gloriosos, do outro os derrotados. Era o céu e o inferno representados em uma linha de um campo de futebol. Era o gol da alegria e o gol da tristeza. O gol do título e o gol da derrota. Era o gol do céu e o gol do inferno.
Eu jamais esquecerei, depois daquele dia eu nunca mais tive sete anos.
Raoni Silva Moura
domingo, 26 de outubro de 2008
“Marina você já é bonita
Com o que Deus lhe deu...”
(Dorival Caymmi)

Talvez ela seja a maior responsável por tudo isso aqui, pelas poesias, pela arte em minha vida, pela vida em minha vida. Foi a primeira pessoa a me apoiar, me incentivar e acima de tudo isso, acreditar em mim. Se respondo à altura, não sei, mas respondo com o coração. Marina, nina, maldita ehhehe... está guardada dentro da caixinha. Obrigado por cada segundo que meu pensamento se fecha em você. Relembrando antigos poemas....Parabéns.
De que me adiantaria
Se eu viver sem o amor que sinto
Posso até um pouco aguentar
Mas sei que não, não posso e não minto
Meu coração gosta de te amar.
Se um dia você se tornar ausente
Sei que poderei suportar
Pois você estará sempre presente
No meu jeito de amar.
Mas amo, te amo mais que amo
De que me adiantaria então
Viver sem te amar? Te amo.
Amo todo o tempo que vivo
Por entre ruas e risos
Mas morro, todo o tempo que amo.
Raoni Silva Moura
Com o que Deus lhe deu...”
(Dorival Caymmi)
Talvez ela seja a maior responsável por tudo isso aqui, pelas poesias, pela arte em minha vida, pela vida em minha vida. Foi a primeira pessoa a me apoiar, me incentivar e acima de tudo isso, acreditar em mim. Se respondo à altura, não sei, mas respondo com o coração. Marina, nina, maldita ehhehe... está guardada dentro da caixinha. Obrigado por cada segundo que meu pensamento se fecha em você. Relembrando antigos poemas....Parabéns.
De que me adiantaria
Se eu viver sem o amor que sinto
Posso até um pouco aguentar
Mas sei que não, não posso e não minto
Meu coração gosta de te amar.
Se um dia você se tornar ausente
Sei que poderei suportar
Pois você estará sempre presente
No meu jeito de amar.
Mas amo, te amo mais que amo
De que me adiantaria então
Viver sem te amar? Te amo.
Amo todo o tempo que vivo
Por entre ruas e risos
Mas morro, todo o tempo que amo.
Raoni Silva Moura
sábado, 27 de setembro de 2008
"Louco é quem me diz:
Que não é feliz"
(Mutantes)
Ex in terior
Que não é feliz"
(Mutantes)
Bruno Neto Malfatti
Sonhos
Sonhos que somem pelo espaço
Voando pelo lugar exato
Apagando meus futuros retratos.
Há paredes pintadas pelo vento
A brisa que corre do mar
Que corta meu rosto desatento
E mancha as cores do luar.
As portas das minha viagens
Muitas vezes fecham o caminho
Sem me deixar ver miragens
Implorando por um pouco de carinho.
Raoni Silva Moura
Ex in terior
Os olhos se retorcem.
Curvas, retas e outras formas
que entorpecem, confundem.
Parece o interior do amor
Achei um quadrado, aberto,
um triângulo fechado.
Formas que não seguem padrão.
Parece o interior do amor.
Mas mesmo na não forma
existe uma beleza estrutural,
de traços leves e precisos.
Parece o exterior do amor.
Raoni Silva Moura
quarta-feira, 10 de setembro de 2008
"Amigo é coisa pra se guardar...."
(Milton Nascimento)
Amigamãe
Me acorda pra me dar um beijo
E diz que eu estou errado
Mas logo ri do meu bocejo
Não adianta, eu não tomo jeito.
Me leva pra aula todo dia
E diz que é pra eu estudar
Mas logo vê que não é sua cria
Não adianta, eu sempre volto a sonhar.
Calma mãe, toma um chazinho comigo!
Senta aqui, vamos conversar
A lista depois eu assino!
Só espera eu terminar de fumar
Assim outro dia se passou
Sob o mimo daquela amiga
Que de tanto que cuidou
Deixou de ser amiga pra ser mãe.
Raoni Moura
Amigo
É como sentir um filho
Vendo seus olhinhos azuis
de Homem Forte, de criança mimada.
Amigo de palavras duras
de coração macio.
Em cada sorriso uma verdade
em cada verdade um certeza
do eterno.
Raoni Moura
Caca
Diga-me que ele irá
E logo entenderei o olhar
Do garoto que será
A alegria de quem chegar
Mas ele não veio
E todo mundo ficou triste
Será mentira?
Será surpresa?
Para com isso caca!
Aonde você foi para?
Vem pra cá. Caca!
Chega mais, vem dançar
Você não é capaz
De fazer alguém chorar.
Raoni Moura
A próxima poesia eu fiz para o meu grande amigo Rafinha, quando ele me falava sobre o que era o amor para ele, sobre quem era a mulher da vida dele. Deu nisso ai...ele gostou...isso já importa mto!!
Veja-me
Nas marcas dos passos que você não deu
Vejo um futuro breve que não é meu
Pelo vidro apaixonado sou teu
Mas numa vida que não sou eu.
E nas ruas que você não passou
Ainda resta o cheiro do seu perfume
O gosto do beijo que você não deu
E a vontade louca de ser teu.
E na saudade que eu muito sinto
Daquele momento que não vivemos
No dia que não nos conhecemos.
E agora que ainda não te vi
Quero de novo poder sentir
Como no dia que só eu te conheci.
Raoni Moura
Tange!
No horizonte um fio desponta
desalinha
recriando a visão do entardecer...
Um cheiro de quente invade os que tentam ouvir com os olhos.
Desajustado, imprevisível,
menino brinca, no meio da estrada, de caminhar
"Ciranda cirandinha, vamos todos namorar..."
Ops!!
Menino que brinca nos olhos da gente,
mergulha no mais íntimo
sempre encontrando um espacinho
para iniciar a sua grande missão
de fazer todo mundo sorrir...
Nathacia Marins Lucena (amiga do peito)
ps: Obrigado Amigos
(Milton Nascimento)
Amigamãe
Me acorda pra me dar um beijo
E diz que eu estou errado
Mas logo ri do meu bocejo
Não adianta, eu não tomo jeito.
Me leva pra aula todo dia
E diz que é pra eu estudar
Mas logo vê que não é sua cria
Não adianta, eu sempre volto a sonhar.
Calma mãe, toma um chazinho comigo!
Senta aqui, vamos conversar
A lista depois eu assino!
Só espera eu terminar de fumar
Assim outro dia se passou
Sob o mimo daquela amiga
Que de tanto que cuidou
Deixou de ser amiga pra ser mãe.
Raoni Moura
Amigo
É como sentir um filho
Vendo seus olhinhos azuis
de Homem Forte, de criança mimada.
Amigo de palavras duras
de coração macio.
Em cada sorriso uma verdade
em cada verdade um certeza
do eterno.
Raoni Moura
Caca
Diga-me que ele irá
E logo entenderei o olhar
Do garoto que será
A alegria de quem chegar
Mas ele não veio
E todo mundo ficou triste
Será mentira?
Será surpresa?
Para com isso caca!
Aonde você foi para?
Vem pra cá. Caca!
Chega mais, vem dançar
Você não é capaz
De fazer alguém chorar.
Raoni Moura
A próxima poesia eu fiz para o meu grande amigo Rafinha, quando ele me falava sobre o que era o amor para ele, sobre quem era a mulher da vida dele. Deu nisso ai...ele gostou...isso já importa mto!!
Veja-me
Nas marcas dos passos que você não deu
Vejo um futuro breve que não é meu
Pelo vidro apaixonado sou teu
Mas numa vida que não sou eu.
E nas ruas que você não passou
Ainda resta o cheiro do seu perfume
O gosto do beijo que você não deu
E a vontade louca de ser teu.
E na saudade que eu muito sinto
Daquele momento que não vivemos
No dia que não nos conhecemos.
E agora que ainda não te vi
Quero de novo poder sentir
Como no dia que só eu te conheci.
Raoni Moura
Tange!
No horizonte um fio desponta
desalinha
recriando a visão do entardecer...
Um cheiro de quente invade os que tentam ouvir com os olhos.
Desajustado, imprevisível,
menino brinca, no meio da estrada, de caminhar
"Ciranda cirandinha, vamos todos namorar..."
Ops!!
Menino que brinca nos olhos da gente,
mergulha no mais íntimo
sempre encontrando um espacinho
para iniciar a sua grande missão
de fazer todo mundo sorrir...
Nathacia Marins Lucena (amiga do peito)
ps: Obrigado Amigos
quinta-feira, 4 de setembro de 2008
"Mentiras Sinceras me interessam"
(Cazuza)
"Sina"
Mal o dia anunciava seu nascimento e eu já sentia o peso dos meus atos futuros comprimindo o coração que ainda era meu. Como pode alguém ser tão sórdido a ponto de fazer rolar morro abaixo uma pessoa, uma vida, sem parar? Mas o turno do dia era dele, não meu. E já estava começando. Um leve formigar na ponta dos dedos me dizia que daqui a pouco eu seria apenas um sopro de consciência – ele estava chegando. Em pouco tempo, me dominou por completo.
Ele então se levantou da cama e a acordou, pronto para iniciar o sádico ritual de todos os dias. Sem olhá-la, levou-a pelo braço até o topo da colina, vestida apenas com uma camisola fina. Ela, com um medo duro nos olhos, deixou-se conduzir sem hesitar. Havia aprendido que resistir só machucava mais.
Chegando ao cume, ele a empurrou e ficou a contemplar seu corpo rolando cada vez mais rápido até a base, as marcas do dia anterior se fazendo visíveis. Desceu a encosta enquanto o corpo ia perdendo a velocidade, já bem abaixo. Puxou-a pela camisola até o topo e tornou a empurrá-la, surdo aos gemidos sufocados da mulher. Fez iss outra vez, e outra, e mais outra, até a noite chegar
Com a lua, mês sentidos voltaram a ocupar o corpo que era meu. Um pouco tonto ainda, olhei para ela, imunda e desprotegida, caída sem forças ao pé da colina. Fui até ela e a ajudei a se erguer. Mal agüentando o peso do corpo, ela apoiou-se em mim. Juntos, fomos caminhando em direção à casa, mas logo nos primeiros passos ela não agüentou. Desmaiou.
Levei-a nos braços até nossa casa e deitei-a com cuidado na nossa cama. Com ela ainda desacordada, fui buscar água morna e um pano. Comecei a lavar os ferimentos dela com água e sabonete, bem delicadamente para não a machucar mais do que ele já tinha machucado. Ela não tardou a acordar. Olhou para mim, os olhos ternos exaustos. Olhos de amor sacrificial.
— Eu te amo. – foi, como todos os dias, a primeira coisa que eu disse.
— Eu também te amo. – foi a resposta. Não havia mais nada a dizer.
Voltei a cuidar dos seus machucados. Ela, deitada imóvel na cama, com os olhos fechados que às vezes se contraíam em dor. Havia arranhões por todo o corpo. Suas costas exibiam desenhos estranhos formados pelas linhas rubras e sangrentas. Nos braços, os arranhados feitos pelos galhos secos misturavam-se a marcas arroxeadas de dedos que puxavam e apertavam. A única parte menos atingida pelas quedas era a barriga, que ela protegia com os braços. Nem o lindo rosto da minha amada escapava. Estava todo deformado, marcado, com cortes mais profundos por causa da pele mais fina, o sangue escorrendo em filetes indo tingir seu pescoço.
Machucados limpos, deitei junto a ela. Ela aconchegou a cabeça ao meu ombro e eu a abracei. Fiz carinho em seus cabelos enquanto ela acariciava meu peito. Ficamos assim, olhos fechados, bocas caladas, por minutos que se derramavam longos, deleitosos, sacralizados. Adormecemos.
Acordei no início da madrugada e a despertei com um beijo. Ela acordou e sorriu. Beijou-me. A casa inteira se encheu daquele silêncio leve, que parecia flutuar por todos os aposentos, elevando a casa para onde de mais sublime existisse. Amamo-nos como foi possível. Depois nos afastamos. Já era quase dia e eu não queria que ele despertasse com ela nos braços. Adormeci a contemplá-la, a expressão serena no rosto mutilado.
O novo nascer do Sol o trouxe de volta ao domínio do meu corpo. UM formigamento partia dos dedos e enlaçava meu corpo como uma enorme sucuri. Uma vertigem que confundia meus sentidos. Corpo pesado, olhos fechados. A respiração tornando-se acelerada, aquele jeito ansioso dele de respirar, como se temesse perder o ar a cada expiração.
Fez tudo como sempre fazia. Levantou-se e a acordou rispidamente. Pelo braço, levou-a ao topo da colina e a fez rolar até embaixo. Arrastou-a de volta ao topo e mais uma vez a empurrou. Dessa vez, porém, ela fez uma coisa que nunca tinha feito antes. Gritou meu nome enquanto rolava.
— Gabriel!
Ao ouvir a voz dela me chamando, a influência dele sobre mim cessou. De uma vez, sem demora, sem tontura, assumi o controle do meu corpo. Corri o mais depressa possível para ela, mas ela já estava longe. Só a alcancei quando seu corpo parou de rolar. Fui ao seu encontro e toquei seu rosto. Afastei uma mecha de cabelo que lhe cobria os olhos e a beijei na testa.
Mas foi só o que aconteceu. Como o tapa que liberta o choro contido do bebê, ele apareceu e reassumiu o controle do corpo. Em sua face agora transparecia um novo ódio. Avançou para cima dela com fúria. Ela se defendeu.
“Agüente firme.” – foi o que pensei.
— Por que você fica? – foi o que disseram meus lábios e a voz dele.
— Porque o amo.
— Vá embora!
— Não vou.
Com a raiva multiplicada, ele investiu com mais força contra ela. Ela reagiu como pôde, debilitada mas com firmeza. Ele agarrou seu pescoço, ela tentou se desvencilhar. Apertou mais forte. Ela, se debatendo, acertou-lhe um chute no joelho que o fez cair. Largou-a. Ela correu, trôpega, mas caiu logo em seguida. Ele a alcançou. Rolaram os dois em uma confusão de braços e chutes. Ela tentava acertá-lo na cabeça para que desmaiasse; ele ainda mirava seu pescoço. Ele conseguiu imobilizá-la. Agarrou-lhe o pescoço, dessa vez para não soltar. Ela ainda lutou, mas os dedos comprimiam-lhe cada vez mais a garganta. Ele a olhava com fome, os olhos iluminados de ódio.
O rosto dela foi ficando mais rubro e a vida que existia em seus olhos, se apagando. Sem aviso, sua cabeça tombou para o lado, pendendo inerte sobre a mão dele.
— Não! – gritei. E, para minha surpresa, meu grito ecoou na colina. Horrorizado, olhei para baixo. Eu sentia entre minhas mãos a pele adorada dela.
Soltei seu pescoço rapidamente e a abracei, transtornado. Fiquei ali, abraçado a ela, beijando-a compulsivamente nos cabelos, o sal das minhas lágrimas esparramando-se sobre seus olhos. Permaneci assim até meu pranto secar e tornar-se um soluçar dolorido e depois em suspiros afetados, cada vez mais espaçados. Já era noite quando levei seu corpo para a nossa casa.
Ainda inconsolável, porém mais calmo, coloquei-o na nossa cama. Fui até o banheiro e lavei meu rosto. Ao levantar a cabeça, lá estava ele. Nossos olhos se encontraram pela primeira vez. Os meus, com ódio; os dele, não.
— Por quê? – perguntei.
— Porque te amo.
(Carolina Zuppo Abed - Querida MÃE)
"Teu laço"
O laço de cetim branco
Eis ai todo meu desejo
Enquanto jovens pensam,
Eu poeta sonho. Com o toque
Do laço de cetim branco
Aperto-lhe contra o peito
Amo-o,
E peço aos Deuses que ele,
(o laço) passei, levemente
Entre meus dedos.
(Raoni Silva Moura)
(Cazuza)
"Sina"
Mal o dia anunciava seu nascimento e eu já sentia o peso dos meus atos futuros comprimindo o coração que ainda era meu. Como pode alguém ser tão sórdido a ponto de fazer rolar morro abaixo uma pessoa, uma vida, sem parar? Mas o turno do dia era dele, não meu. E já estava começando. Um leve formigar na ponta dos dedos me dizia que daqui a pouco eu seria apenas um sopro de consciência – ele estava chegando. Em pouco tempo, me dominou por completo.
Ele então se levantou da cama e a acordou, pronto para iniciar o sádico ritual de todos os dias. Sem olhá-la, levou-a pelo braço até o topo da colina, vestida apenas com uma camisola fina. Ela, com um medo duro nos olhos, deixou-se conduzir sem hesitar. Havia aprendido que resistir só machucava mais.
Chegando ao cume, ele a empurrou e ficou a contemplar seu corpo rolando cada vez mais rápido até a base, as marcas do dia anterior se fazendo visíveis. Desceu a encosta enquanto o corpo ia perdendo a velocidade, já bem abaixo. Puxou-a pela camisola até o topo e tornou a empurrá-la, surdo aos gemidos sufocados da mulher. Fez iss outra vez, e outra, e mais outra, até a noite chegar
Com a lua, mês sentidos voltaram a ocupar o corpo que era meu. Um pouco tonto ainda, olhei para ela, imunda e desprotegida, caída sem forças ao pé da colina. Fui até ela e a ajudei a se erguer. Mal agüentando o peso do corpo, ela apoiou-se em mim. Juntos, fomos caminhando em direção à casa, mas logo nos primeiros passos ela não agüentou. Desmaiou.
Levei-a nos braços até nossa casa e deitei-a com cuidado na nossa cama. Com ela ainda desacordada, fui buscar água morna e um pano. Comecei a lavar os ferimentos dela com água e sabonete, bem delicadamente para não a machucar mais do que ele já tinha machucado. Ela não tardou a acordar. Olhou para mim, os olhos ternos exaustos. Olhos de amor sacrificial.
— Eu te amo. – foi, como todos os dias, a primeira coisa que eu disse.
— Eu também te amo. – foi a resposta. Não havia mais nada a dizer.
Voltei a cuidar dos seus machucados. Ela, deitada imóvel na cama, com os olhos fechados que às vezes se contraíam em dor. Havia arranhões por todo o corpo. Suas costas exibiam desenhos estranhos formados pelas linhas rubras e sangrentas. Nos braços, os arranhados feitos pelos galhos secos misturavam-se a marcas arroxeadas de dedos que puxavam e apertavam. A única parte menos atingida pelas quedas era a barriga, que ela protegia com os braços. Nem o lindo rosto da minha amada escapava. Estava todo deformado, marcado, com cortes mais profundos por causa da pele mais fina, o sangue escorrendo em filetes indo tingir seu pescoço.
Machucados limpos, deitei junto a ela. Ela aconchegou a cabeça ao meu ombro e eu a abracei. Fiz carinho em seus cabelos enquanto ela acariciava meu peito. Ficamos assim, olhos fechados, bocas caladas, por minutos que se derramavam longos, deleitosos, sacralizados. Adormecemos.
Acordei no início da madrugada e a despertei com um beijo. Ela acordou e sorriu. Beijou-me. A casa inteira se encheu daquele silêncio leve, que parecia flutuar por todos os aposentos, elevando a casa para onde de mais sublime existisse. Amamo-nos como foi possível. Depois nos afastamos. Já era quase dia e eu não queria que ele despertasse com ela nos braços. Adormeci a contemplá-la, a expressão serena no rosto mutilado.
O novo nascer do Sol o trouxe de volta ao domínio do meu corpo. UM formigamento partia dos dedos e enlaçava meu corpo como uma enorme sucuri. Uma vertigem que confundia meus sentidos. Corpo pesado, olhos fechados. A respiração tornando-se acelerada, aquele jeito ansioso dele de respirar, como se temesse perder o ar a cada expiração.
Fez tudo como sempre fazia. Levantou-se e a acordou rispidamente. Pelo braço, levou-a ao topo da colina e a fez rolar até embaixo. Arrastou-a de volta ao topo e mais uma vez a empurrou. Dessa vez, porém, ela fez uma coisa que nunca tinha feito antes. Gritou meu nome enquanto rolava.
— Gabriel!
Ao ouvir a voz dela me chamando, a influência dele sobre mim cessou. De uma vez, sem demora, sem tontura, assumi o controle do meu corpo. Corri o mais depressa possível para ela, mas ela já estava longe. Só a alcancei quando seu corpo parou de rolar. Fui ao seu encontro e toquei seu rosto. Afastei uma mecha de cabelo que lhe cobria os olhos e a beijei na testa.
Mas foi só o que aconteceu. Como o tapa que liberta o choro contido do bebê, ele apareceu e reassumiu o controle do corpo. Em sua face agora transparecia um novo ódio. Avançou para cima dela com fúria. Ela se defendeu.
“Agüente firme.” – foi o que pensei.
— Por que você fica? – foi o que disseram meus lábios e a voz dele.
— Porque o amo.
— Vá embora!
— Não vou.
Com a raiva multiplicada, ele investiu com mais força contra ela. Ela reagiu como pôde, debilitada mas com firmeza. Ele agarrou seu pescoço, ela tentou se desvencilhar. Apertou mais forte. Ela, se debatendo, acertou-lhe um chute no joelho que o fez cair. Largou-a. Ela correu, trôpega, mas caiu logo em seguida. Ele a alcançou. Rolaram os dois em uma confusão de braços e chutes. Ela tentava acertá-lo na cabeça para que desmaiasse; ele ainda mirava seu pescoço. Ele conseguiu imobilizá-la. Agarrou-lhe o pescoço, dessa vez para não soltar. Ela ainda lutou, mas os dedos comprimiam-lhe cada vez mais a garganta. Ele a olhava com fome, os olhos iluminados de ódio.
O rosto dela foi ficando mais rubro e a vida que existia em seus olhos, se apagando. Sem aviso, sua cabeça tombou para o lado, pendendo inerte sobre a mão dele.
— Não! – gritei. E, para minha surpresa, meu grito ecoou na colina. Horrorizado, olhei para baixo. Eu sentia entre minhas mãos a pele adorada dela.
Soltei seu pescoço rapidamente e a abracei, transtornado. Fiquei ali, abraçado a ela, beijando-a compulsivamente nos cabelos, o sal das minhas lágrimas esparramando-se sobre seus olhos. Permaneci assim até meu pranto secar e tornar-se um soluçar dolorido e depois em suspiros afetados, cada vez mais espaçados. Já era noite quando levei seu corpo para a nossa casa.
Ainda inconsolável, porém mais calmo, coloquei-o na nossa cama. Fui até o banheiro e lavei meu rosto. Ao levantar a cabeça, lá estava ele. Nossos olhos se encontraram pela primeira vez. Os meus, com ódio; os dele, não.
— Por quê? – perguntei.
— Porque te amo.
(Carolina Zuppo Abed - Querida MÃE)
"Teu laço"
O laço de cetim branco
Eis ai todo meu desejo
Enquanto jovens pensam,
Eu poeta sonho. Com o toque
Do laço de cetim branco
Aperto-lhe contra o peito
Amo-o,
E peço aos Deuses que ele,
(o laço) passei, levemente
Entre meus dedos.
(Raoni Silva Moura)
sábado, 16 de agosto de 2008
"Eu queria trazer-te uns versos muito lindos
colhidos no mais íntimo de mim..."
(Mestre Mario Quintana)
Menina Minha
Versos pobres para menina rica.
Que coisa estranha!
Versos feios para menina linda.
Maravilhosa contradição!
O poeta é um ser esquisito,
Perde tempo, gasta horas,
Cansa a mente, aponta o lápis.
Para! Respira e acende um cigarro.
Mas como é tolo esse ser,
Que não percebe nada,
Que não entende o óbvio,
Perde o dia, passa a noite.
Só para tentar explica;
O quanto ama você, Schatz.
Raoni Moura – HDL
colhidos no mais íntimo de mim..."
(Mestre Mario Quintana)
Menina Minha
Versos pobres para menina rica.
Que coisa estranha!
Versos feios para menina linda.
Maravilhosa contradição!
O poeta é um ser esquisito,
Perde tempo, gasta horas,
Cansa a mente, aponta o lápis.
Para! Respira e acende um cigarro.
Mas como é tolo esse ser,
Que não percebe nada,
Que não entende o óbvio,
Perde o dia, passa a noite.
Só para tentar explica;
O quanto ama você, Schatz.
Raoni Moura – HDL
sexta-feira, 15 de agosto de 2008
“Eu faço versos como quem chora
De desalento... de desencanto...
Fecha o meu livro, se por agora
Não tens motivo nenhum de pranto.”
(Mestre Manuel Bandeira)
Rosa de Papel
Arrancadas brutalmente, uma a uma,
Não importou a cor que tinham,
umas mais claras, outras mais escuras,
Umas já velhas e outras, tão pequeninas,
Ahh, mas cortaram os dedos de quem as deflorou
Sequer sabiam o seu destino, (sabiam de onde vieram?)
E seu destino também não interessava a quem as vendeu,
(e quem as comprou, lhes deu o devido valor?)
não importa, foram jogadas num saco apertado
Ahh, mas sufocaram o corpo de quem as usou
Quem as encomendou sabia, exatamente, o seu destino,
Cada detalhe foi minimamente calculado
Quem as usou, banhou-se cegamente em seu leito gelado..
E depois cobriu se com elas, beijou-as, amou-as, amou sobre elas,
morreu como nunca antes havia morrido..
era um sonho.. mas seu perfume permaneceu em sua pele...
Ahh, pétalas de rosas vermelhas, rosas e brancas...
Karen Steuer Costa (querida amiga)
De desalento... de desencanto...
Fecha o meu livro, se por agora
Não tens motivo nenhum de pranto.”
(Mestre Manuel Bandeira)
Rosa de Papel
Arrancadas brutalmente, uma a uma,
Não importou a cor que tinham,
umas mais claras, outras mais escuras,
Umas já velhas e outras, tão pequeninas,
Ahh, mas cortaram os dedos de quem as deflorou
Sequer sabiam o seu destino, (sabiam de onde vieram?)
E seu destino também não interessava a quem as vendeu,
(e quem as comprou, lhes deu o devido valor?)
não importa, foram jogadas num saco apertado
Ahh, mas sufocaram o corpo de quem as usou
Quem as encomendou sabia, exatamente, o seu destino,
Cada detalhe foi minimamente calculado
Quem as usou, banhou-se cegamente em seu leito gelado..
E depois cobriu se com elas, beijou-as, amou-as, amou sobre elas,
morreu como nunca antes havia morrido..
era um sonho.. mas seu perfume permaneceu em sua pele...
Ahh, pétalas de rosas vermelhas, rosas e brancas...
Karen Steuer Costa (querida amiga)
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